Relato: Rafael Gribel

Aproveitando a semana de folga entre empregos (sim, eu mudei de emprego de novo…) resolvi tirar uns dias e ir pro Parque Nacional da Serra dos Órgãos. A ideia era escalar o Dedo de Deus no Domingo e fazer a travessia Petrópolis-Teresópolis nos 3 dias seguintes. Como a Flávia estava em aula, chamei o Guilherme pra escalar o dedo no final de semana e decidi ir fazer a travessia sozinho mesmo.

Peguei um ônibus de Alfenas para BH no sábado às 6 da manha e por conta de obras na Fernão Dias só fui chegar em BH às 3 da tarde. O Guilherme me buscou na rodoviária, passamos pra comer alguma coisa e pegamos a estrada sentido Teresópolis. Chegamos lá por volta das 9 da noite sob um tempo bem nublado e às vezes chuviscando. Ficamos no abrigo do Ivo (serradosorgaos.net) e fomos dormir torcendo para o tempo melhorar.

Acordamos às 6 no Domingo com fome de escalada, mas o tempo não colaborou. O sol até ameaçou aparecer mas tudo estava encharcado da chuva da madrugada e a todo momento mais nuvens apareciam. Decidimos então enrolar um pouco e esperar o tempo melhorar, mas sem sucesso. Por volta de 11 da manha, depois de muitos copos de café e milhares de histórias do Ivo resolvemos abandonar a ideia do Dedo de Deus e ir para o parque fazer uma caminhada.

Descemos até o parque e decidimos ir até o Morro da Cruz de onde se tem uma bonita vista da Agulha do Diabo. Pegamos a trilha que sobe para a Pedra do Sino, esperando identificarmos alguma coisa que nos indicasse a trilha para o Morro da Cruz. 3 horas e meia de subida depois chegamos de repente no abrigo 4 e percebemos que havíamos passado a entrada. Já que já estávamos lá em cima, resolvemos ir então ao cume da Pedra do Sino, torcendo para o tempo melhorar. E não melhorou. Do cume não conseguimos avistar literalmente nada por causa da neblina. Comemos alguma coisa e começamos a penosa descida de volta. 3 horas de descida e já com as headlamps acesas chegamos de volta no carro.

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Travessia Petro-Tere
O Guilherme precisou voltar para BH para compromissos do mestrado e me deixou na portaria do parque em Petrópolis. Apresentei meu recibo de pagamento e as 8:15h comecei a caminhar. A caminhada do 1º dia eh uma longa e constante subida até o abrigo do Açu. Com destaque para a subida final apelidada de isabeloca. Gastei ao todo 5 horas e 15 minutos, e cheguei no Abrigo do Açu por volta de 13:30h, arrastado por uma ventania de dar gosto e um frio de respeito.

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O abrigo estava vazio quando cheguei, então já assumi uma das beliches e fui desarrumar minha mochila e comer alguma coisa. Depois de alguns sanduíches, resolvi já tomar banho pra me preparar pra dormir com as galinhas. Banho quente no abrigo foi impagável!!! Por volta das 17:00h eu já estava começando a ter fome de jantar e já comecei a preparar o menu do dia: miojo com atum. Neste momento chegou um casal que também ficaria no abrigo, e foram as únicas companhias que tive durante toda a travessia. Depois do jantar, por volta das 18:30h, eu já estava apagado no saco de dormir. A madrugada foi muito fria, chegando a 1 grau dentro do abrigo (de acordo com o guarda parque)!!!

O segundo dia começou com um tempo lindo, céu aberto e muito vento e frio. Tomei um café, arrumei minhas coisas e antes das 8:30h já estava na trilha. O segundo dia da travessia Petrópolis-Teresópolis é especial e pra mim não poderia ter sido mais especial. Um tempo maravilhoso e somente eu na montanha!!! Nesse dia não encontrei ninguém no caminho e pude aproveitar tudo que a montanha traz de mais tranquilizador para o espírito. Visuais de tirar o fôlego e muito sentimento de vulnerabilidade e humildade diante de tamanha exuberância da natureza!!! Com o tempo perfeito, consegui avistar tudo que se consegue de todos os ângulos: cumes principais da Serra dos Órgãos (Dedo de Deus, Dedo de Nossa Senhora, Escalavrado, Cabeça de Peixe, Verruga do Frade, Garrafão), os Três Picos de Nova Friburgo e ainda os principais picos do Rio (Pão de Açúcar, Corcovado e Floresta da Tijuca).

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Esse dia é caracterizado pelo sobe-desce constante, passando pelos famosos Elevador e Cavalinho. Cheguei no abrigo 4 por volta das 14:00h. Cama arrumada, banho tomado, por volta das 18:00h estava novamente preparando meu jantar e, de novo por volta das 19:00h, já estava apagado no saco de dormir.

O 3º dia da travessia não é tão bonito, e a descida infindável cansa bastante os joelhos e tornozelos. Gastei ao todo 3 horas e 15 minutos na descida sempre com a visão dos Três Picos de Nova Friburgo fechando com chave de ouro a caminhada.

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Antes do meio dia e meio já estava no final da trilha, esperando o Ivo do abrigo vir me buscar. De lá, só passei no abrigo pra tomar um banho e pegar o restante dos equipamentos pra depois ir pra rodoviária iniciar a longa jornada de ônibus de volta pra Alfenas.

Não poderia ter escolhido momento melhor para fazer pela segunda vez essa travessia maravilhosa!!! Volto pra casa com o ânimo renovado e todas as baterias carregadas para encarar (mais) um novo recomeço!!!

Folga entre empregos na Serra dos Órgãos